28 quartos22 m²
Quarto Barro
Interior ou virado ao pátio das laranjeiras. Cama de casal ou duas individuais, secretária, cofre. São os mais baratos da casa e os mais frescos: não apanham sol nenhum depois das 11h00.
Seiscentas e vinte máquinas, vinte e quatro mesas e três salões privados de alto limite, dois pisos abaixo do pequeno-almoço. Por cima, noventa e seis quartos e suítes em cima de Lagos: paredes caiadas, chão de barro cozido, o mar a catorze minutos a pé.
O Barrocal é a faixa de calcário que separa a serra do mar. A Rua do Barrocal sobe a partir do centro de Lagos e acaba num planalto onde o solo muda de cor: pedra branca até meio da encosta, barro vermelho a partir daí. É desse barro que a casa tirou o nome, a cor das paredes e o chão que se pisa em todos os quartos.
Lagos tem duas cidades. A de baixo, que enche em julho e esvazia em setembro. E a de cima, o Barrocal, onde as casas são poucas, ficam longe umas das outras e quase nunca mudam de dono. O Terracor está na de cima, e é essa a diferença que se paga. Não há outra sala de jogo dentro de quarenta quilómetros, e quem sobe cá acima à noite sobe de propósito.
Do terraço do terceiro piso vê-se a Ponta da Piedade à direita e a Meia Praia à esquerda. Entre outubro e março, ao fim da tarde, dá para ver as duas ao mesmo tempo sem ninguém a passar à frente.
Julho e agosto: a casa está cheia e a rua também. Os 42 lugares cobertos são para hóspedes e não se pagam, mas em agosto, depois das 18h00, raramente sobra algum — nessa altura usa-se o parque público da Avenida dos Descobrimentos, a onze minutos a pé, a descer bem e a subir mal. De novembro a fevereiro o hotel é outro sítio: metade dos quartos ocupados, o restaurante só ao jantar, e o terraço quase sempre vazio às cinco da tarde. A sala, essa, não muda de horário nem de limites em nenhum mês do ano — e os salões de alto limite são mais fáceis de pedir em janeiro do que em agosto. Há quem venha de propósito nessa altura.
O Terracor não é um hotel que arranjou uma sala de jogo. É uma sala de jogo com noventa e seis quartos por cima. Henrique Bivar, que dirigiu salas no Estoril durante dezassete anos, viu terreno de Sagres a Faro antes de assinar por este: um planalto no Barrocal, a quilómetro e meio do centro de Lagos, sem vizinho a menos de duzentos metros.
A escolha foi por causa do que está debaixo. O calcário do Barrocal deixa cavar a direito e aguenta o peso — e a sala foi a primeira coisa desenhada: cave e piso -1, três metros e meio de pé-direito, entrada própria pela rua. O hotel construiu-se por cima dela, e não ao contrário. Da licença ao primeiro croupier contratado passaram-se catorze meses.
Abriu a 12 de abril de 2004 com trinta e oito quartos, cento e oitenta máquinas e nove mesas. Hoje são noventa e seis quartos e suítes, seiscentas e vinte máquinas, vinte e quatro mesas e três salões privados de alto limite. O restaurante, esse, ganhou trinta minutos em vinte e dois anos: fechava às 22h00, fecha às 22h30.
Todos os quartos têm chão de barro cozido, paredes caiadas à mão e ventoinha de teto além do ar condicionado. É fresco em agosto e obriga a chinelos em janeiro. Não temos jacuzzis, não temos quartos comunicantes e não estamos à espera de ter. O que temos é o elevador: da porta do quarto ao balcão de registo da sala vão quarenta segundos, a qualquer hora até às 03h00.
28 quartos22 m²
Interior ou virado ao pátio das laranjeiras. Cama de casal ou duas individuais, secretária, cofre. São os mais baratos da casa e os mais frescos: não apanham sol nenhum depois das 11h00.
34 quartos26 m²
Varanda estreita virada a norte, sobre a serra de Monchique. Chuveiro em nicho de pedra, sem banheira. É o quarto que mais vendemos fora de agosto, e o que os hóspedes repetem.
22 quartos30 m²
Vista de mar a sul, entre a Ponta da Piedade e a barra. Varanda com duas cadeiras e uma mesa pequena. Nos pisos 2 e 3; os do piso 3 seguem a inclinação da cobertura e têm 2,10 m no ponto mais baixo — quem é alto que peça o piso 2.
10 suítes48 m²
Sala separada do quarto por uma parede vazada de barro que continua a dividir opiniões. Terraço privado com muro à altura do peito e casa de banho com banheira exenta. São as suítes que o Clube VIP reserva primeiro e as que ficam à saída do elevador poente — o que desce direto ao piso -1, sem passar pelo átrio.
2 suítes62 m²
No topo da ala poente, viradas ao mar, com parede de taipa à vista do chão ao teto e terraço de 30 m². Dois lugares de estacionamento reservados, anfitrião dedicado enquanto cá estiver e entrada pelo elevador de serviço, se quiser. São as duas únicas com máquina de café e as duas únicas que se esgotam com um ano de antecedência.
As paredes interiores são de alvenaria maciça. Guardam o fresco muito bem e o som muito mal: ouve-se o corredor. Nos quartos do piso 1 da ala poente — do 108 ao 118 — ouve-se ainda um zumbido baixo da ventilação da cave, sobretudo depois da meia-noite às sextas e aos sábados; não é música nem são vozes, é ar, e esses quartos são mais baratos por causa disso. Nos pisos 2 e 3 não se ouve nada, e quem tem sono leve deve pedir o piso 3, que só tem dez portas e o elevador na outra ponta. Preferimos dizer isto agora do que na manhã do check-out. As reservas fazem-se por telefone, pelo +351 282 764 190, ou por e-mail, das 08h00 às 22h00, e responde sempre alguém que já viu o quarto por dentro — em agosto um e-mail pode ficar quatro ou cinco horas à espera, por isso quem tem pressa liga.
Não é a lista de tudo o que há cá dentro. É a lista do que se pede mais ao balcão, pela ordem em que se pede: as máquinas, as mesas, as suítes, o jantar e o que acontece no terraço ao fim da tarde. Cada uma tem a sua secção mais abaixo, com os números e os horários certos.
As máquinas e as mesas são para maiores de 18 anos, com documento e registo. As suítes, o jantar e o terraço são para toda a gente, incluindo quem nunca desce ao piso -1 — e são quatro em cada dez hóspedes.
A sala ocupa a cave e o piso -1 — os dois pisos que se escavaram primeiro. Blackjack, roleta francesa e americana, bacará, dados e póquer, mais seiscentas e vinte máquinas com jackpots progressivos em rede. Abre às 15h00 e fecha às 03h00 — às sextas e aos sábados, às 04h00. Entra-se pelo átrio do hotel ou pela porta da Rua do Barrocal, sempre com documento e sempre com registo.
Há luz natural em cinco pontos da sala. Foram cinco clarabóias abertas na laje em 2011 e é a única coisa por que o arquiteto discutiu connosco a sério. Nesta indústria também é hábito não haver relógios nas paredes; nós pusemos três.
Seis mesas, porta própria e um horário mais curto: cash game a partir das 17h00, torneios às quintas e aos domingos às 21h00. Não se joga fora do horário afixado, nem para acabar uma mão: a dez minutos do fecho, o pessoal avisa em voz alta e às 03h00 as cartas ficam na mesa.
A sala tem porta própria e fica dois pisos abaixo do átrio: não se atravessa para chegar a lado nenhum. Quatro em cada dez hóspedes nunca lá põem os pés, e os outros seis descem — é para eles que a casa foi construída. Ninguém lhe vai oferecer nada no check-in: a receção não recebe comissão sobre isso e nem sequer sabe quem entra lá em baixo.
Os salões privados de alto limite são três salas fechadas no piso -1, cada uma com a sua mesa, o seu croupier e o seu anfitrião. O jogo escolhe-se à chegada — blackjack, bacará ou roleta — e os limites são acima dos da sala aberta. Entra-se pelo elevador poente, sem passar pelo átrio.
Pede-se no balcão de registo, de véspera, e é o Clube VIP que trata do resto: a sala, o croupier, o anfitrião e o jogo que quiser à mesa. Quem está hospedado nas suítes tem preferência, e em janeiro basta pedir à chegada. Não há bilhete de entrada nem valor mínimo à porta.
As regras da casa são as mesmas lá dentro e cá fora: os mesmos 18 anos, o mesmo documento, o mesmo registo, os mesmos limites de cartão e os mesmos avisos de tempo. É a única coisa que não se negoceia num salão privado.
A noite cá em cima é curta de distâncias: do restaurante ao terraço são dez passos, do terraço ao balcão de registo são quarenta segundos de elevador. Nada disto tem bilhete e nada disto precisa de marcação, tirando os jantares do chef, que se pedem à receção.
110 lugares19h00 – 22h30
Cozinha do Barrocal e do mar que está a catorze minutos a pé: carne de porco preto da serra, peixe da lota de Lagos, figo e amêndoa em outubro. Cento e dez lugares, dois turnos ao jantar e uma sala que fecha às 22h30 — trinta minutos mais tarde do que em 2004, e foi a única coisa que mudou. Os jantares do chef são seis por ano e enchem com os hóspedes da casa.
Piso 3Até às 01h00
A Ponta da Piedade à direita, a Meia Praia à esquerda e o bar no meio. Vinhos do Algarve a copo, aguardente de medronho de Monchique e uma carta curta que cabe numa página. Entre outubro e março põem-se mantas nas cadeiras e continua a haver quem fique. É a parte da casa que toda a gente pode usar, a qualquer idade, até à uma da manhã.
Sextas e sábados22h00
Fado à sexta e trio de jazz ao sábado, no salão junto ao átrio, com trinta cadeiras e sem palco: os músicos ficam ao nível de quem os ouve. Duas vezes por ano há uma noite de guitarra portuguesa com gente de fora. Entra-se sem bilhete enquanto houver lugar, e quem chega a meio espera pelo fim da peça para se sentar.
Quando a cozinha fecha, a casa fica com três sítios abertos: o terraço até à uma, a sala de jogo até às três — quatro às sextas e sábados — e a receção, que não fecha nunca. O átrio é comum aos três e é por isso que tem os sofás mais confortáveis do hotel: metade das conversas da noite acaba ali, com um chá, sem ninguém a olhar para o relógio.
Nenhuma destas coisas se pede por formulário nem demora mais de dez minutos. Pede-se à pessoa que está no balcão de registo da sala, e fica feito nesse dia.
Pode pedir para não voltar a entrar na sala — por três meses, por um ano ou sem prazo. Faz-se no balcão de registo, com documento, e passa a valer no momento em que assina. Se quiser que valha em todo o país, o pedido faz-se junto do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) e nós tratamos do papel consigo. A autoexclusão não lhe fecha o hotel: continua a poder ficar hospedado, comer no restaurante e usar o terraço, pelo mesmo preço de sempre. A única diferença é que o seu documento deixa de passar no balcão de registo lá em baixo — e isso é o sistema a funcionar exatamente como deve.
O cartão de jogador aceita limites diários, semanais e mensais definidos por si. Um limite novo entra em vigor de imediato. Para o baixar, basta pedir. Para o subir, há 72 horas de espera e uma segunda confirmação presencial — e essa espera não se dispensa a ninguém, seja quem for, incluindo nos salões de alto limite.
O cartão pode avisá-lo de 30 em 30 ou de 60 em 60 minutos, com o tempo em sala e o saldo do dia no ecrã da máquina. Vem desligado por defeito e liga-se em dez segundos no balcão. Os três relógios da parede, esses, estão sempre ligados.
Não damos crédito a jogadores. Não adiantamos dinheiro sobre a conta do quarto. Não há caixa multibanco dentro da sala — a mais próxima fica no átrio do hotel, do outro lado de duas portas e de um lance de escadas. Já nos pediram as três coisas na mesma noite e a resposta foi a mesma três vezes. Nada disto é um pormenor de decoração: foi decidido em 2004 e não mudou.
A equipa da sala não faz diagnósticos nem dá conselhos — não é o trabalho dela e não teria como. O que sabe fazer é chamar alguém de lado, sentar-se e passar um contacto que preste. São estes, e estão em papel no balcão, à vista de quem entra.
Linha telefónica pública do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, para todos os comportamentos aditivos, jogo incluído. Dias úteis, das 10h00 às 18h00. Não é preciso marcação, não fica registo no hotel e quem atende não trabalha para nós.
Grupos de entreajuda, sem custo e sem inscrição. Há reuniões no Algarve — Faro e Portimão — e reuniões por videochamada durante a semana. Não é preciso dizer o nome nem falar na primeira vez.
O Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, do Turismo de Portugal, regula o jogo em Portugal e mantém o registo de autoexclusão. Um pedido feito aí vale para todas as salas do país, não só para a nossa.
Um questionário de autoavaliação de nove perguntas, em português e em inglês, e uma folha com todos os limites que o cartão aceita. Está no balcão da sala e na receção do hotel, num expositor à altura dos olhos. Não é preciso pedir a ninguém nem explicar porquê — leva-se e pronto.
18+ Idade mínima na sala de jogo
Para entrar na sala é preciso ter 18 anos feitos e mostrar documento. Não é a formalidade da porta: na primeira visita faz-se registo, com leitura do documento, e a partir daí entra-se com o cartão de jogador — que também é o que faz funcionar os limites e os avisos de tempo. Vale para a sala aberta e vale para os salões privados de alto limite, sem diferença.
Quem aparente menos de 25 anos leva sempre documento pedido, mesmo que tenha cá estado ontem e mesmo que conheça o segurança pelo nome. É chato e é para continuar.
Menores não entram acompanhados por adultos: nem para ver, nem para atravessar, nem por dois minutos. A sala não dá passagem para lado nenhum — quem entra, entra para jogar ou para acompanhar quem joga, e para acompanhar também é preciso ter 18. No resto da casa são bem-vindos: o hotel, o restaurante e o terraço são para toda a gente.
Cartão de Cidadão Passaporte Título de residência Carta de condução — não serve
O Clube VIP é o que abre os três salões privados do piso -1: limites de mesa acima dos da sala aberta, jogo escolhido à chegada, anfitrião que o trata pelo nome e prioridade nas suítes. Por escrito, chega-lhe pouco — tarifas de época baixa, os jantares do chef, os torneios de póquer e as obras que possam incomodar quem já reservou. Não passamos a lista a ninguém e não escrevemos a quem pediu autoexclusão.